terça-feira, 24 de agosto de 2021

Noites de Verão, noites de afectos, noite de direitos, noites de leituras...

As leituras de Verão, por norma, são sempre leituras leves. Costumam ser leituras de romances eternos ou leituras de mistérios/detectives....No entanto, há quem fuja a regra, e leia incessantemente livros sobre os direitos dos menores e sobre a filosofia do direito. 

Talvez estejam a pensar que seja uma fase, mas a verdade é que quanto mais leio sobre a essência desta construção que é o direito da família que me apaixono mais pelo direito. Como li hoje, num dos artigos que povoam a minha secretária, a "A justiça e os afectos são construções da civilização" - António José Fialho. 

Parei nesta frase e deixei-me reflectir sobre a mesma enquanto olhava para a noite do Porto onde escasseiam estrelas mas dançam os sonhos ao som da Fábia Rebordão e do seu rumo ao sul.

E enquanto a melodia da Fábia Rebordão tocava em modo repeat no youtube, pensava que construção é que a nossa civilização quer construir quando diariamente se violam direitos humanos de tantas crianças, sendo o caso mais mediático a crise do Afeganistão. Tantos séculos para as crianças conseguirem serem titulares de direitos e depois num acto político, religioso, cultural.... a construção do direito torna-se numa obra inacabada e destruída onde o céu dos afectos perdeu a cor. Enquanto o Mundo não se mentalizar que as crianças de hoje são os lideres de amanha, os direitos das crianças vão ficar sempre muito aquém do pretendido.

Mas nada nos impede de sonhar e acreditar que não sera uma utopia, o dia em que em vez de se escreverem livros/artigos sobre estas temáticas, vamos criar estratégias de implementação dos direitos destas crianças.

Bj utopico

Dri







quarta-feira, 28 de julho de 2021

El niño que no juega no es niño...............

 Frases em que "tropeçamos":

"El niño que no juega no es niño, pero el hombre que no juega perdió para siempre el niño que vivía en él y que le hará mucha falta." - Pablo Neruda (1904-1973) poeta y escritor chileno, activista político.

Bj utópico
Dri



quinta-feira, 15 de julho de 2021

Viva la liberta


Mais uma noite envolta das formalidades das normas APA da tese de Doutoramento. Aproveito para partilhar a beleza desta noite de verão enquanto o pc se desliga por hoje e termino o meu chá . 

A noite está silenciosa . Cá em casa todos dormem . Música só mesmo nos AirPods. 

Hoje acompanhei o meu trabalho com música de Jovanotti . Um músico italiano que conheci pelas mãos do meu marido no tempo de namoro mas que me tem fidelizado ao longo destes anos . 

A sua discografia é vasta…..desde músicas mais calmas, a músicas de intervenção ou mesmo o som do pop italiano . No meu coração a música A Te terá sempre um lugar especial . 

Mas enquanto bebo estes últimos goles bj de chá , não resisto a partilhar convosco a música : viva la liberta do jovanotti pois sem a liberdade quem somos nós ? O Jorge palma canta que a dependência é uma besta e a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo . Talvez a liberdade seja o preço de um beijo, o preço de uma opinião , o preço de um amor  ou mesmo o preço de um regime . Talvez a liberdade seja a capacidade que devemos ter de ser nós sem medo desse beijo , desse amor , dessa opinião ou desse regime .

Hoje senti-me presa as normas da APA que me cortaram as asas da liberdade de escrever no tipo de letra que me apeteceria …. Mas viver em liberdade também implica cumprir regras 

Por isso , vou caminhar até a cama com a música do Jovanotti a ecoar :

Viva la libertà
Parola magica, mettila in pratica
Senti che bella è, quant'è difficile
E non si ferma mai, non si riposa mai
Ha mille rughe ma è sempre giovane
Ha cicatrici qua, ferite aperte là
Ma se ti tocca lei ti guarirà
Ha labbra morbide, braccia fortissime
E se ti abbraccia ti libererà

Bj utópico 

Dri 


terça-feira, 6 de julho de 2021

O perigo de ter um diário na Sex/Life......

"Sex/Life" estreou na plataforma Netflix a 25 de junho e rapidamente se tornou numa das séries mais vistas do momento na plataforma. Pode ler-se na sinopse da série que: "a história se centra numa espécie de triângulo amoroso focado na perspetiva da mulher onde a protagonista é uma mãe de dois filhos, dona de casa suburbana americana do Connecticut, que tem ficado cada vez mais aborrecida com a sua rotina e vida familiar com o marido". Desde o primeiro episódio que a protagonista , frustrada com a sua vida de dona de casa, vai escrevendo no computador um documento que intitula de diário. A verdade é que enquanto escreve, a protagonista relembra os tempos de solteira e os tempos em que a aventura e a adrenalina era o seu mote de vida com um jovem de nome Brad... Mas tudo se complica quando o marido têm acesso ao documento e o lê. Ou seja, nasce um triangulo entre a protagonista, o marido e o mundo de solteira da protagonista.

A verdade é que sábado a noite, decidi começar a ver a série para desanuviar..... E vi episódio atrás de episódio.... nascendo a dúvida como ia aquela protagonista resolver aquele conflito interior :a vida de hoje ou a vida do passado? Apesar das partes físicas, de todas as cenas íntimas da série, o que centrou a minha expectativa foi como é que este triangulo vai ter o seu desenlace? Não vou ser spoiler e contar o fim da serie: será que volta para a loucura de ser solteira? será que fica com o marido? será que fica sozinha? O melhor é verem a serie para verem o surpreendente fim da mesma....

Por coincidência, na segunda estive três horas numa reunião de um processo de direito da família, onde a palavra de ordem foi emoções. Daí que o dilema daquela protagonista e o enfoque das emoções da reunião de segunda-feira, me façam questionar retoricamente : será que temos de escolher só um lado? será que devemos voltar ao passado? será que é tudo sentimento? será que é sentimento e razão? Será que devemos agir só com base na razão ou só com base na emoção?

A verdade é que enquanto advogada, de formação, olho para as emoções e os afetos com distanciamento ou mesmo com dificuldade de entender estes conceitos que são indeterminados mas que também têm um conteúdo valorativo para as partes. Alias na reunião indiretamente apontaram-me o pormenor de ser fria e litigante....mas em que código esta escrito que o amor é que move o mundo?  O mundo move-se numa sociedade organizada por regras/normas que o Direito cria para vivermos de forma estável e com segurança. O amor não é uma norma dessa codificação que nos rege.... 

E voltando a série que despoletou todas estas dúvidas, a verdade é que, para mim, nós não temos de escolher o passado ou o futuro. A verdade é que devemos aceitar o presente mas deixando que a nossa essência misture as nossas experiencias de solteira com os altos e baixos da vida de casamento. Enquanto protagonista das minhas relações sociais, lembro-me muitas vezes da frase de Einstein que dizia que “a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão”.  Na verdade no conceito de Einstein não existe passado nem futuro mas sim unidades do agora, ou seja, a capacidade que temos de ter consciência necessária para lidar com o imediato e essa consciência é o somatório das nossas experiencias, da nossa essência.

Por isso não quero ser quem fui ontem, nem quem vou ser amanhã, quero ser quem sou hoje com todo o acumular de experiencias que a vida me deu ontem e me dará amanhã, mas mantendo profissionalmente a frieza com que vivo o direito da família.

Bj utópico
Dri

Nota: Se quiserem ter um diário coloquem um cadeado ou uma palavra passe no documento, nunca se sabe quem pode ler......







terça-feira, 1 de junho de 2021

Coincidências do dia da criança....

É a madrugada do dia da criança e eu estou a terminar agora de escrever um recurso por violação do interesse superior do menor num processo de promoção e proteção de um menor.....

Coincidência ou não, a esta hora as palavras já são escassas mas não resisto a partilhar uma música que nos remete para a essência de ser criança: Aquarela do Toquinho

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva norte e sul
Vou com ela, viajando, Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul
(...)
Feliz Dia da Criança a todos, eu amanha vou tentar voar com os meus lápis de cor....
Bj utópico
Dri










quarta-feira, 28 de abril de 2021

Será que, na Primavera, há dias cinzentos?

Há dias cinzentos...
Há salas frias....
Há salas vazias com paredes brancas....
Há momentos em que o silêncio é ensurdecedor.....
Há dias em que o olhar nos lê a alma.......
Há momentos que a força de um abraço é a razão de viver....
Há dias em que nos cruzamos com a negligência....
Há dias em que nos cruzamos com a dura realidade de separar um filho de uma mãe...
Há dias em que a imagem do sofrimento é uma presença....
Há dias em que o som agudo do choro de uma criança nos incomoda....
Há dias que ser advogado é ter uma pedra no lugar do coração....
Há dias que sentimos que aquela mãe só queria ter um momento no tempo.....

Mas nesses dias também entendemos que a vontade de lutar do ser humano é infinita. E que aquela mãe lutará por ter no futuro vários momentos no tempo..... Por isso, nunca podemos deixar de acreditar no direito e que os dias cinzentos se podem transformar no arco-íris no prazo de 6 meses...

Bj utópico
Dri







quinta-feira, 25 de março de 2021

O "voice laboral "

Hoje o tema da aula  foi a formação de contratos de trabalho, trabalho por turnos, nocturno..... e todas as vicissitudes que tantas vezes se cruzam connosco na redação de um contrato de trabalho ou no vínculo que o sujeito tèm com a sua entidade patronal.

Após escamotearmos os artigos do código de trabalho e todas as suas interlinhas, lançei para debate um vídeo denominado o voice laboral. O vídeo já tem seis anos, mas nos tempos que correm parece tão atual. Alias diria mesmo que todos os direitos sociais conquistados desde a Revolução Industrial até aos dias de hoje, caminham para o retrocesso de todas as lutas destes direitos conquistados e que sempre tentaram dignificar o trabalhador como ser humano.

Neste momento global em que hoje vivemos (com esta pandemia) , o mundo do trabalho sofre diariamente uma permanente tensão para a adaptação de novas realidades sociais, organizativas e acima de tudo de competitividade. As empresas tentam responder aos dilemas da pandemia com novos métodos e novas formas de organização, mas esquecem-se que estas suas decisões transformam o mundo do trabalhador num mundo de incerteza quanto ao seu futuro, quanto à sua proteção social e cada vez mais aumentando a precaridade laboral.

Temos de voltar a olhar para o direito ao trabalho como ele nos é definido pela nossa Constituição. Temos de voltar olhar para o direito ao trabalho como um direito fundamental. Temos de voltar a olhar para o direito ao trabalho como uma forma de integração na sociedade por parte do individuo, nomeadamente quanto a sua capacidade de se realizar profissional e do ponto de vista bio-psico-social.

Como disse um dia Kant: O homem é o único animal que precisa de trabalhar

Para quem não conhece o vídeo, aconselho a ver:


Bj utópico

Dri


Será que a IA nos conseguia substituir ?

  Esta foi uma pergunta que ecoou no meu regresso a casa depois do nosso almoço de sexta. Hoje entre delícias do mar, um vinho novo e as con...