sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entre o Estreito de Ormuz e a Esperança: Pensar o Mundo Hoje


 Num tempo em que o mundo parece oscilar entre a incerteza e o medo, a leitura do livro Esperança, do Papa Francisco, surge como um convite profundo à reflexão e, sobretudo, à resistência interior. Não uma resistência feita de força bruta, mas de uma confiança teimosa na possibilidade de um futuro mais humano.

As palavras do Papa ecoam com uma simplicidade desarmante: a esperança não é ingenuidade, é escolha. E talvez nunca tenha sido tão urgente escolhê-la como agora. Hoje, ao vermos notícias sobre o agravamento do conflito no Irão e a abertura do Estreito de Ormuz — um dos pontos mais sensíveis do equilíbrio geopolítico mundial —, somos confrontados com a fragilidade das estruturas que sustentam a paz.

O mundo parece, mais uma vez, inclinar-se para a tensão, para a divisão, para o medo do outro. E é precisamente neste cenário que a mensagem de Esperança ganha ainda mais força. O Papa Francisco recorda-nos que a esperança não ignora a dor nem fecha os olhos à realidade. Pelo contrário, nasce no meio dela. Cresce nas fissuras da história, onde ainda é possível escolher o bem.

Mas o que significa falar de utopia num mundo assim?

Durante muito tempo, a palavra “utopia” foi tratada como sinónimo de algo inalcançável, quase infantil. No entanto, talvez devêssemos resgatá-la. Não como fuga à realidade, mas como horizonte. A utopia é aquilo que nos impede de aceitar a injustiça como normal, a guerra como inevitável, a indiferença como destino.

A utopia é, afinal, uma forma de esperança em movimento.

Num mundo marcado por conflitos, crises energéticas, desigualdades profundas e medos coletivos, pensar num “mundo melhor” pode parecer distante. Mas é precisamente esse pensamento que nos mantém humanos. Cada gesto de solidariedade, cada escolha ética, cada palavra que constrói em vez de destruir , tudo isso são pequenas expressões de uma utopia possível.

Talvez não possamos fechar estreitos nem evitar guerras com as nossas próprias mãos. Mas podemos abrir caminhos dentro de nós e à nossa volta. Podemos escolher não alimentar o ódio, não ceder ao cinismo, não desistir do outro.

O livro Esperança não oferece soluções mágicas. Oferece algo mais exigente: um convite à transformação interior que, lentamente, pode transformar o mundo.

E talvez seja aí que tudo começa.

Entre o ruído das notícias e o peso da realidade, a esperança continua a ser um ato radical. E a utopia, longe de ser um sonho distante, pode ser o primeiro passo concreto para um mundo que ainda não existe,  mas que depende de nós para começar a nascer.

Bj utopico

Dri


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O poder de um post it



Hoje descobri que um post it não é só um quadrado colorido que serve de memorando.

Este quadrado colorido pode ser um sopro ou um começo quando escrevemos a frase certa e o colamos perdido dentro de um livro.
Dentro desse livro, podemos encontrar várias frases escritas em pequenos post-its que, na verdade, ficam ali silenciosas a espera do momento certo de fortalecer quem as lê. Diria mesmo que há um poder secreto em cada frase escrita, pois estes post its, espalhados ao longo do livro, estão carregados de intenções, de pausas para respirar ou simplesmente para fortalecer.

Assim este livro, deixa de ser apenas um conjunto de páginas encadernadas, para se tornar um companheiro , um mapa feito de letras com pulsação, com palavras que respiram e histórias que abraçam,.

Uma frase pode não mudar o mundo inteiro, mas pode mudar um dia. E às vezes, é de um dia que nós precisamos para continuar.

Olhemos para estes posts its como sementes prontas a florir em novas etapas. 

Porque todo o caminho de cuidado começa com uma decisão silenciosa,  uma frase que acende uma luz e a partir de hoje com um post it colorido.

Bj utópico
Dri

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Conhecem o amor que não faz barulho?

14 de fevereiro: o dia dos amor, dos afectos......

Coloquei Barry White na playlist da Apple Music e decidi escrever sobre um tipo de amor que não faz barulho, que não precisa de plateia e não exige promessas eternas porque ele simplesmente fica. É o amor que nasce na amizade.

O Amor na amizade é quando alguém entende o nosso silêncio, que envia mensagem a dizer estou aqui ou simplesmente acredito em ti. 

A amizade é o único amor que começa sem expectativas e, ainda assim, transborda em significado pois não nasce da paixão, mas nasce da nossa escolha diária em ouvir, ficar e entender mesmo quando seria mais fácil fugir.

Se o mundo tivesse mais amizades com amor e menos amores sem amizade, talvez tudo fosse mais leve.

Feliz dia de São Valentim aos meus verdadeiros amigos que são um porto seguro no meio das tempestades e riso nos dias comuns. São aqueles que conhecem as minhas versões mais fortes e também as mais frágeis  e ainda assim permanecem. São casa, mesmo quando o mundo parece estrada. Cada um, da sua maneira, carrega um pedaço da minha história e lembra-me, todos os dias, que não existe riqueza maior do que ter com quem dividir a vida.

Bj utopico
Dri


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Os anos do meu pai





Hoje é dia de anos: o dia de anos do meu pai. O pai que está presente no tempo, nos gestos calmos e no riso dos netos que o rodeiam.

Como filha, vejo nele o homem que sempre soube escutar antes de falar e sentir antes de agir. Hoje, vejo também o pai que se transformou em avô sempre atento, paciente, afectuoso. A forma como ele interage com os netos tem o mesmo cuidado com que constrói a música: sem pressa mas com verdade.

Foi essa sensibilidade que o levou a criar o álbum Círculo D’Harmonias, onde cada faixa é uma parte do seu tempo, da sua calma e da sua história. No seu circulo de Harmonias disponível no Spotiy e na Apple Music:

- No “Préludio”, reconheço o início de tudo: a base, o primeiro passo, o tom certo para começar.
- Em “A Little Blue” a serenidade que ele carrega no olhar, aquela calma que atravessa gerações.
- Em “A Little Swing”, está a leveza do quotidiano, o riso, a alegria
- em “Ode a D. Dinis” revela o respeito profundo pela história, pela cultura e pelas raízes , valores que ele passa aos netos sem discursos, apenas pelo exemplo.
- Em “Contemplação”, encontro o pai: observador, presente, em silêncio mas sempre presente.

A equitação é uma das suas grandes paixões. Vejo-o a cavalo com o mesmo equilíbrio com que compõe atento ao ritmo, à respiração, ao momento exato. Ali, como na música, o meu pai ensina que conduzir não é dominar, é escutar.

Os netos veem nele segurança e ternura.Um colo que acolhe, um olhar que valida, uma presença que fica. Para eles, o avô não é passado, pois é brincadeira, aprendizagem e tempo de qualidade.

Para mim, o meu pai transforma vida em som.
E eu, como filha, vejo o homem que se reinventa sem perder a essência. Vejo o pai que cria, que cuida e que deixa um legado que se ouve e se sente.

O meu pai não marca apenas o tempo, marca pessoas e gerações.

Parabéns, pai.
Que continues a transformar dias em harmonias e amor em presença

Bj utopico

Dri

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A historia do Cabaz...



Para mim as quartas-feiras não são apenas dias úteis: são pontos de encontro. São dias em que os almoços de amigos funcionam como âncoras no meio da pressa do mundo, lembrando que a vida também se constrói à mesa.
Foi num desses almoços de quarta-feira que surgiu a rifa.  Cada um comprou o seu número com a leveza de quem não espera ganhar, mas quer participar. 
O cabaz acabou por sair ali, no meio do grupo, como se tivesse escolhido sozinho o seu destino. Um cabaz cheio de coisas pensadas para bons momentos: sabores para partilhar, detalhes para saborear devagar, convites silenciosos à pausa e à celebração. Não era apenas um conjunto de produtos, mas um manifesto: a vida é melhor quando é dividida.

E é aí que entra a simbologia do brinde que podemos fazer com este cabaz ou nos almoços de quarta feira, pois brindar não é sorte nem acaso. O brinde simboliza o coletivo, a alegria que não precisa de dono, o gesto simples de erguer o copo e dizer: “que bom estarmos aqui”.

Dos brindes nascem, naturalmente, as resoluções para 2026, mas não como listas exigentes, mas sim como as intenções possíveis:
- continuar a aparecer às quartas-feiras, mesmo sem rifa;
- valorizar os momentos improváveis que acabam por ser os mais importantes;
- brindar mais vezes em conjunto
- lembrar que a sorte maior é pertencer a um grupo que ri junto.

Neste mundo em que vivemos,  o verdadeiro prémio esteve sempre ali: à mesa, entre amigos, numa quarta-feira qualquer que acabou por ser especial.
Bj utopico
Dri

sábado, 29 de novembro de 2025

Os jantares de Natal....



Há jantares de Natal que começam no calendário em Novembro.
Ontem foi um deles. Na verdade, os membros deste jantar chegaram à minha vida sem aviso, como quem entra pela porta da sala com gargalhadas e histórias ainda por contar. E, sem perceber bem como, dei por mim adotada por um grupo que não combina em nada… e que, ao mesmo tempo, combina em tudo.
Somos todos diferentes quer nos ritmos, nas manias, nas gargalhadas e até nas tempestades que carregamos. Mas partilhamos a mesma missão : viver com leveza, rir e pôr o coração no sítio certo cada vez que nos sentamos à mesa.
E é isso que faz nascer a mística destes jantares de Natal que já começam em novembro porque esperar até dezembro seria desperdiçar oportunidades de celebrar.
Nestes encontros, há sempre um brinde que antecede a conversa, uma conversa que antecede a gargalhada, e uma gargalhada que, inevitavelmente, antecede o momento em que o restaurante nos lembra que talvez estejamos a rir um bocadinho alto demais. Mas é assim mesmo: alegria não vem com botão de volume.
As prendas são as mais originais. Temos prendas com todas as classificações: umas úteis, outras absolutamente inúteis, mas todas perfeitas porque carregam a nossa marca e a nossa a espontaneidade do “vi isto e lembrei-me de ti”.
No fim, ninguém sabe bem se celebra o Natal, a amizade, ou a sorte de termos tropeçado uns nos outros na vida.
E quando a noite avança e alguém liga a música, lá vamos nós: a gingar ao som da kizomba, desalinhados mas felizes, como quem dança não para acertar o passo, mas para agradecer à vida o momento.
Por isso, ergamos o copo  pelo Natal, por nós, por este grupo improvável e essencial.
Um brinde às noites que nos encontram juntos.
E outro às gargalhadas que nos expulsam dos restaurantes, mas nunca do coração uns dos outros

Bj utópico 
Dri

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Outono em Madrid


Madrid respira outra textura quando o outono chega.
A cada manhã, o caminho foi um mosaico de cores: ocres, dourados, ferrugem que brilham sob um sol já tímido.
Por sorte o local de trabalho, neste días, foi o Parque do Retiro que se transforma num espelho do tempo.
Os passos sobre o tapete de folhas soam como cartas antigas sendo abertas.
O vento brinca com as sombras e faz parecer que o mundo é feito de véus que cobrem uns ou outros que revelam.
As pessoas apressadas passam, cheias de relatórios, prazos, e-mails por responder, mas o parque insiste em falar mais alto, com uma calma quase insolente.
Trabalho? Sim , mas por instantes que,foram breves, a cidade convidou à pausa.Um café na Plaza Maior e por um segundo o tempo derreteu.As cores dissolveram-se e o laranja virou âmbar, o verde confunde-se com o cobre, e o céu parece pintado à mão, como se alguém tivesse decidido misturar mel e cinza.
E então, no meio da pressa, algo desperta:o som das folhas dançando sozinhas.

E amanhã ? amanhã é dia de voltar ao Porto, a minha cidade.
Levo comigo o som das folhas, o perfume do cafe , e essa certeza suave de que o tempo também sabe ser gentil.
Madrid fica em mim como um suspiro morno de outono.
O Porto, esse, espera -me com o coração aberto e com o cheiro do mar que nunca se esquece.

Bj utópico 
Dri

Entre o Estreito de Ormuz e a Esperança: Pensar o Mundo Hoje

 Num tempo em que o mundo parece oscilar entre a incerteza e o medo, a leitura do livro Esperança , do Papa Francisco, surge como um convite...