Há almoços que alimentam o corpo, outros que alimentam a alma e os nossos, felizmente, alimentam também a curiosidade, a imaginação e a vontade de pedir mais um copo de vinho branco.
À mesa, temos pataniscas, vinho branco e gindungo. Uma combinação que, por si só, já promete emoções fortes. O gindungo apimenta a comida, o vinho aquece a conversa e nós tratamos de apimentar o resto.
Falamos de música, de pirâmides do Egito, de expressões idiomáticas e de tudo aquilo que começa num assunto perfeitamente normal e acaba numa discussão que nem a Wikipédia conseguiria acompanhar.
E, pelo meio, há músicas que nos ficam no ouvido e que dão outro ritmo à conversa. Foi então que, pela esplanada, passou alguém com rosas vermelhas.
As rosas vermelhas não passam despercebidas. Muito menos numa mesa onde a curiosidade é um talento coletivo.
Amor? Amante? Aniversário de namoro? Pedido de casamento? Ou pedido de perdão por alguma coisa que ainda não chegou ao conhecimento público?
Talvez fosse um romântico incurável. Talvez um amante a cumprir calendário. Ou talvez alguém tivesse chegado à conclusão de que um simples «desculpa» não ia resolver o problema e que era melhor investir na floricultura.
E nós, naturalmente, começámos a construir cenários. Porque uma pessoa pode não saber nada sobre a vida de quem passa, mas isso nunca foi impedimento para uma boa investigação de esplanada.
Entretanto, o vinho branco continuava fresco, as pataniscas não se comiam sozinhas e o gindungo lembrava-nos que, mesmo sem conhecermos a história toda, havia sempre maneira de tornar o almoço mais picante.
E lá ficou a dúvida: será que as rosas eram para conquistar alguém ou para evitar que alguém fizesse as malas?
Nunca saberemos. Mas, na nossa mesa, a história já tinha elenco, argumento e banda sonora.
Afinal, há dias em que a vida nos oferece música. Noutros, oferece-nos rosas vermelhas a passar pela esplanada. E há sextas-feiras em que nos oferece tudo isto, acompanhado de pataniscas e vinho branco.
Bonito, bonito… é conseguir transformar um almoço banal numa novela romântica sem conhecer sequer os protagonistas!
Mundo Utópico da Dri





