sábado, 22 de agosto de 2026

Alentejo

 Entre campos dourados, oliveiras antigas, aldeias brancas e estradas que parecem não ter fim, existe uma tranquilidade difícil de explicar. Aqui, o tempo parece andar mais devagar e cada paisagem convida a parar, respirar e simplesmente estar.

No Alentejo, há beleza nas coisas simples: um café bebido numa praça tranquila, o cheiro da terra aquecida pelo sol, o sabor de um pão alentejano acabado de cortar ou o silêncio de um fim de tarde pintado de laranja.

É uma terra de horizontes largos e de histórias guardadas nas pedras dos castelos, nas ruas estreitas das aldeias e nas mãos de quem mantém vivas as tradições.

Talvez seja isso que torna o Alentejo tão especial: a capacidade de nos lembrar que não precisamos de correr sempre. Que viajar também pode ser parar para olhar, escutar e sentir .

E quando o sol se põe sobre os campos, deixando o céu em tons de fogo, percebemos que há lugares que ficam connosco muito depois de partirmos.

O Alentejo é assim: uma pausa bonita no caminho, um lugar onde o coração aprende novamente a andar devagar.

  

Mundo utópico da Dri 



sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Essa Tal Liberdade: quando a música nos devolve a nós próprios

 Há músicas que não se ouvem apenas. Sentem-se.

Quando começam a tocar e, sem percebermos muito bem como, alguma coisa dentro de nós muda. O corpo abranda, a memória desperta e somos levados para lugares que já não existem da mesma forma, mas que continuam a viver dentro de nós.

Foi assim que voltei a ouvir “Essa Tal Liberdade”, na voz de Alexandre Pires e Seu Jorge.

A liberdade de fechar os olhos e deixar que uma música nos leve para outro tempo. Para aqueles anos em que tudo parecia possível, em que as emoções eram vividas sem tantas reservas e em que certas canções ficaram ligadas a pessoas, noites, viagens, amores, encontros e despedidas.

Há músicas que guardam pedaços da nossa história. Basta ouvirmos os primeiros acordes para uma memória aparecer inteira: uma rua, uma casa, uma voz, um abraço, uma gargalhada. Às vezes até nos lembramos de quem éramos naquele momento — e percebemos o quanto mudámos desde então.

“Essa Tal Liberdade” fala-nos precisamente dessa vontade de sermos livres, de deixarmos para trás aquilo que nos prende e de voltarmos a escolher a nossa própria vida.Mas talvez exista uma outra liberdade, mais silenciosa, que a música nos oferece: A liberdade de sentir sem explicar.

A liberdade:

  • De voltar atrás por alguns minutos.

  • De matar saudades sem precisar de dizer de quem.

  • De sorrir por uma lembrança que ninguém mais conhece.

  • De dançar, mesmo quando o dia lá fora está cinzento.

  • De deixar o coração viajar para onde quiser.

E talvez seja por isso que algumas músicas nunca envelhecem. Nós envelhecemos. As nossas vidas mudam. As pessoas seguem caminhos diferentes. Os lugares transformam-se. Mas há canções que permanecem exatamente onde as deixámos — à espera de que um dia voltemos a carregá-las no coração.

Hoje, ao ouvir “Essa Tal Liberdade”, pensei em todas essas pequenas versões de mim que ficaram espalhadas pelo caminho.

Mas senti gratidão pelas memórias bonitas, por aquelas que me doeram e me fizeram crescer, pelas pessoas que passaram pela minha vida e sobretudo, pela liberdade de ainda podermos sentir tudo isso através de uma simples música.

Porque talvez a verdadeira liberdade seja esta: podermos fechar os olhos, ouvir uma canção e, durante alguns minutos, sermos novamente quem quisermos.

Hoje, escolho ser aquela pessoa que ainda sabe dançar com as memórias e que ainda acredita que há músicas que não se ouvem porque apenas se sentem.

Bj Utópico Dri



terça-feira, 11 de agosto de 2026

Sobre diárias e menus .....

Foi durante um café que começámos a falar de diárias. Não de despesas, nem de contas, nem propriamente do valor que se recebe para almoçar. Falávamos das diárias como conceito. Daqueles menus que aparecem à porta dos restaurantes e que dizem, de uma forma muito simples, o que há para comer naquele dia.

O conceito de diária, tem qualquer coisa de simples, pois não promete experiências, não fala em degustações e não anuncia desconstruções, pois é apenas uma refeição. E talvez seja precisamente aí que começa o que é bom na gastronomia portuguesa.

Se falarmos de gastronomia portuguesa, de repente tínhamos uma lista enorme de coisas que são boas: o pão, o azeite, os queijos, o peixe, os mariscos, a carne, as sopas, os enchidos, o arroz, as batatas..... Porque talvez a nossa riqueza não esteja apenas nos produtos, mas na forma como os juntamos e no tempero

Talvez a gastronomia portuguesa tenha pormenor de não precisar de explicar demasiado, pois um bom peixe não precisa de uma história de vinte linhas ou um caldo verde não precisa de ser reinventado. Aliás há pratos que são tão nossos que basta dizermos o nome e já sabemos quase tudo.

Falámos também dos menus e fiquei a pensar que talvez a diária seja uma pequena instituição portuguesa. Há qualquer coisa de reconfortante em chegar a um restaurante e perguntar:

— O que é a diária hoje?

E alguém responder. Sem grandes cerimónias. Sem precisarmos de escolher entre vinte e sete possibilidades. Ou seja, a capacidade de nos fazer felizes sem grande complicação com uma mesa, um prato, uma conversa e um café no fim. Se déssemos mais valor a estas pequenas coisas, não transformaríamos necessariamente todos os restaurantes em restaurantes de luxo.

Talvez o nosso maior património gastronómico continuasse a estar naqueles lugares onde se come bem sem ser preciso explicar porquê.

Sem dúvida, que há conversas que começam num café, mas há ideias que ficam connosco muito depois de a chávena estar vazia.

Até porque uma boa refeição raramente acaba quando se termina o prato. Às vezes continua na conversa. Na memória. E, claro, na vontade de voltar.

Foi assim que terminou o café.

A diária ficou por ali.

Mas a gastronomia ficou na conversa.

E talvez tenha sido essa a melhor parte.

Bj utópico,

Dri



quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A sopa com gelo e outras lições improváveis

Há dias que começam com um plano. Outros começam com uma publicação nas redes sociais.

Foi assim que tudo aconteceu: uma loja descoberta quase por acaso, daquelas que nos fazem pensar: "Como é que eu ainda não conhecia isto?". Uma conversa, um convite para almoçar e a certeza de que, às vezes, o algoritmo até acerta.

Depois veio a viagem de Uber. Digamos apenas que o percurso teve mais emoção do que o esperado pois entre desvios, trânsito e aquele momento em que nos perguntamos se o GPS e o motorista estão mesmo a viver a mesma realidade, lá chegámos mas inteiros. E isso já conta como uma vitória.

Mas o verdadeiro protagonista do dia ainda estava para aparecer. O calor apertava tanto que alguém resolveu inovar e servir... sopa com gelo.

Há quem diga que a criatividade não tem limites. Eu acrescentaria que o calor também não. A partir daí, a questão deixou de ser se fazia sentido, mas passou a ser simplesmente aceitar que há dias em que a realidade consegue ser mais criativa do que qualquer guião.

E talvez seja essa a maior reflexão.

Passamos tanto tempo à procura de planos perfeitos que nos esquecemos de que são os momentos inesperados que acabam por ficar na memória. Não foi a loja, nem sequer o Uber atribulado que tornaram este dia especial mas foi a sucessão de pequenas histórias, o riso partilhado e a capacidade de transformar um detalhe tão improvável como uma sopa com gelo numa daquelas recordações que serão contadas vezes sem conta.

Porque, no fim de contas, há dias em que o melhor investimento não está nas compras, nem nas deslocações, nem no almoço: está  na boa disposição.

Bj utópico 

Dri








domingo, 26 de julho de 2026

Avós: o amor que nos ensina a abrandar


 Há amores que chegam de rompante e outros que crescem devagar, como uma árvore que cria raízes profundas. O amor entre avós e netos pertence a essa segunda categoria. Não faz barulho, não pede atenção, simplesmente existe. E talvez por isso seja um dos mais puros que conhecemos.

Os avós têm um dom raro: fazem-nos sentir que o tempo pode esperar. Ao lado deles, as horas correm mais devagar. Há sempre tempo para ouvir uma história repetida pela décima vez, para preparar aquele bolo que sabe sempre à infância ou para um abraço que parece curar os dias mais difíceis.

Ser avó ou avô é muito mais do que ver uma família crescer. É voltar a viver a infância através dos olhos dos netos, é ensinar sem impor, é amar sem esperar nada em troca. É descobrir que o coração consegue aumentar de tamanho quando chega um neto.

E os netos... os netos são a continuidade da vida. São a alegria que ilumina os dias, o motivo para voltar ao parque, brincar no chão, rir das pequenas coisas e acreditar que o futuro vale sempre a pena.

A pandemia lembrou-nos daquilo que tantas vezes damos por garantido. Houve um tempo em que os abraços ficaram do outro lado de uma janela. Os beijos foram substituídos por acenos e o carinho teve de encontrar outras formas de chegar. Mas, curiosamente, foi nessa distância que percebemos a força deste amor. Nem o vidro, nem os metros de separação conseguiram impedir que avós e netos continuassem ligados.

Hoje, que podemos voltar a abraçar quem amamos, talvez devêssemos fazê-lo com mais intenção. Porque aprendemos, da forma mais difícil, que um abraço nunca é apenas um abraço. É presença. É conforto. É memória. É amor.

Neste Dia dos Avós, que saibamos agradecer a quem nos ensinou tanto sem precisar de grandes discursos. A quem nos mostrou que a riqueza está nos gestos simples, na mesa posta, nas mãos enrugadas que continuam a cuidar e no colo que nunca deixa de existir, independentemente da idade.

Porque os avós não vivem apenas nas fotografias da nossa infância. Vivem em cada valor que nos transmitiram, em cada tradição que mantemos e em cada abraço que hoje podemos voltar a dar.

E que nunca mais precisemos de uma janela para dizer: "Gosto de ti." ❤️

Bj utópico 

Dri 







sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sexta-feira: mulheres, chuva e cromos... porque sim!

 Há uma regra que nunca falha nos almoços de sexta-feira: cumprir a sequência do almoço. Ou seja, primeiro chegam os copos.: vinho para uns, água para os mais conscientes e Coca-Cola para aqueles que ainda acreditam que a cafeína é uma filosofia de vida. Segundo aparecem os pratos com as múltiplas alterações ao prato original. Mas a verdade é que uma boa conversa não pode começar de boca seca.

E o tema desta semana prometia: As mulheres têm problemas? Foi só lançar a bomba para se abrir oficialmente mais uma sessão extraordinária da Assembleia da República das Sextas-Feiras.

Descobrimos rapidamente que as mulheres têm problemas, mas também têm soluções. E quando não têm soluções? Inventam novos problemas, só para não deixar a conversa morrer. Afinal, alguém tem de manter o entretenimento.

Pelo meio, alguém puxou pelo Marco Paulo e quando aparece o Marco Paulo já ninguém sabe muito bem se estamos a falar de música ou de terapia de grupo. Entre uma gargalhada e outra, surgiu a inevitável referência à “louca na cama”. Ninguém percebeu exatamente como lá chegámos. Mas também alguém percebe como é que as conversas das sextas chegam onde chegam? Há um GPS próprio para isto  funciona sem satélite.

Lá fora começou a chover e bastaram duas gotas para alguém cantar “Chuva no Telhado”……. E juntos cantamos…...mas não sabemos se a música ficou afinada. A chuva até parecia perceber que estava a assistir a um espetáculo. Isto promete uma ida ao Karaoke.

Quando pensávamos que o assunto já não podia fugir mais do tema inicial, alguém falou em cromos de futebol. Percebemos que as mulheres e os cromos têm muito em comum porque: há os repetidos, há aqueles que toda a gente quer trocar, há os raríssimos e há sempre um que falta completar a coleção.

Quanto à presença masculina, hoje, resumiu-se praticamente a um exemplar.

Dira mesmo um sobrevivente ou um corajoso. Um homem sentado no meio de um autêntico congresso feminino sobre problemas, emoções, teorias, músicas, chuva e cromos. Não sabemos se saiu traumatizado, iluminado ou apenas feliz por ter sobrevivido para contar a história.

No fundo, estes almoços são exatamente isso, pois não interessa o menu, nem interessa o tema, nem sequer interessa se está sol ou chuva.

O importante é que, à sexta-feira, conseguimos provar cientificamente que uma conversa pode começar com vinho, passar pelas mulheres, fazer um desvio pelo Marco Paulo, apanhar chuva no telhado, colecionar cromos de futebol e ninguém achar estranho.

Aliás seria estranho falar apenas de um assunto do princípio ao fim, porque isso não seria um almoço de sexta, mas sim uma reunião.

Conclusão: as mulheres até podem ter problemas, mas os homens têm o azar de pensar que os conseguem resolver

Bj utópico

Dri



quinta-feira, 23 de julho de 2026

O idioma das amizades

Há dias em que penso que a língua é uma espécie de casa antiga: tem portas que já não abrimos, tem janelas que deixámos de usar, tem divisões onde antes vivíamos e agora apenas passamos. Os idiomas que falamos, os que herdámos, os que aprendemos, os que inventamos com quem amamos, na realidade são mapas da nossa história. E, no entanto, às vezes deixamos que a pressa do mundo nos roube a delicadeza de os habitar.

E com o tempo fomos perdendo: o hábito da escrita antiga, da letra desenhada com cuidado, do tempo de escrever sem urgência e das cartas que eram quase um abraço. Hoje escrevemos mensagens rápidas, frases curtas, palavras que chegam mas não pousam. E, quando damos por isso, percebemos que a língua mudou ou fomos nós que mudámos dentro dela.

Nas amizades, a língua é mais do que comunicação: é cuidado. Há amigos com quem falamos num idioma que só existe ali . Diria mesmo que seria uma mistura de memórias, piadas internas, silêncios confortáveis e palavras que não precisam de tradução. É uma língua secreta, feita de confiança. E quando cuidamos dessa língua estamos a cuidar da amizade, a responder com atenção, a escrever com presença, a escolher palavras que não ferem e a oferecer frases que acolhem.

E talvez o melhor exemplo dessa língua que cuida esteja naquele nosso grupo de WhatsApp dos almoços de sexta. Ali, a amizade tem gramática própria: piadas que só fazem sentido para quem viveu as mesmas histórias, indiretas que são mais carinho do que crítica, stickers que substituem abraços, emojis que dizem “estou aqui” sem precisar de mais nada.

Por vezes, é uma língua imperfeita, rápida, cheia de riso, mas profundamente humana.
E cada mensagem, por mais simples que pareça, é uma forma de cuidado. No fundo, a língua é o lugar onde a amizade se torna visível e cuidar da língua, mesmo num grupo de WhatsApp, é cuidar da amizade , da vida e uns dos outros.

Bj utópico

Dri



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Sextas-feiras que sabem a Oreo e a sonhos na savana

Mais uma sexta-feira, mais um almoço. Porque, no nosso pequeno ritual semanal, a sexta só começa quando alguém diz: “Vamos?”. E lá fomos nós, atravessando o calor como quem atravessa um deserto com esperança de encontrar um oásis... ou, pelo menos, uma esplanada com um guarda-sol minimamente comprometido com a sua função.

As roupas Tigresse fizeram a sua entrada triunfal, transmitindo a ilusão coletiva de que, por momentos, estávamos num resort qualquer e não a meio de uma sexta-feira de trabalho. E o guarda-sol, coitado, decidiu que também já tinha dado o que tinha a dar e, ao primeiro sopro de vento, levantou voo, como quem recebe uma proposta melhor na mesa do lado.

Entretanto, chegou a estrela do almoço: a mousse de Oreo. Daquelas sobremesas que vêm para a mesa com ar de quem vai durar uns bons minutos... e desaparecem antes de conseguirmos tirar uma fotografia decente. Oficialmente era para partilhar.

Depois chegaram os inevitáveis orçamentos. Porque somos adultos... ou gostamos de fingir que somos. Orçamentos para viagens, para escapadinhas, para planos que começam com um “e se...” e acabam com alguém já a escolher hotéis como se a decisão estivesse tomada. Fazemos contas, abrimos calculadoras, fechamos calculadoras e, no fim, percebemos que sonhar continua a ser gratuito. Felizmente.

E foi aí que a Tailândia entrou na conversa. Entre pesquisas e gargalhadas, já nos imaginávamos numa viagem em grupo, a saltar de ilha em ilha, a descobrir piscinas de um azul impossível, daquelas que parecem ter sido pintadas à mão, a colecionar pores do sol e a terminar os dias com uma massagem tailandesa capaz de desfazer até o cansaço que ainda nem tivemos tempo de acumular. Há viagens que começam quando compramos o bilhete. Outras começam muito antes, à volta de uma mesa de almoço.

Falámos de praias, cidades, malas por fazer, voos por marcar e daqueles destinos que aparecem sempre nas conversas de sexta, como se estivessem só à espera que alguém tivesse coragem de carregar em “reservar”. Ainda não sabemos quando vamos. Mas já sabemos o que vamos vestir.

As conversas seguiram o guião habitual: histórias da semana, desabafos, piadas privadas que já ninguém sabe explicar, teorias completamente absurdas e gargalhadas que fazem qualquer mesa ao lado olhar na nossa direção. É sempre assim. Começa com um comentário inocente e, cinco minutos depois, já estamos a rir de uma coisa que, fora daquele almoço, provavelmente nem teria graça. Mas ali tem. Porque ali quase tudo tem.

E talvez seja isso que torna estas sextas tão especiais. Não é o restaurante, nem a mousse, nem a Tailândia que, por enquanto, só existe nos nossos planos. São as pessoas. A leveza. O tempo que abranda sem pedir licença. A sensação de que, durante umas horas, o mundo pode esperar enquanto nós colecionamos memórias e desenhamos as próximas aventuras.

Porque nestes almoços cabem um guarda-sol rebelde, uma mousse de Oreo, um padrão Tigresse, uma viagem em grupo à Tailândia, piscinas de todas as tonalidades de azul e massagens que, por enquanto, só aconteceram na nossa imaginação.

E, sinceramente? Ainda bem.

Bj utópico,
Dri




sábado, 11 de julho de 2026

O nosso ritual ..............

Há coisas que fazem bem à alma. Para mim, uma delas é este nosso compromisso: tentar juntar as seis, uma vez por mês, à volta de uma mesa.

Nem sempre é fácil. As agendas atropelam-se, os imprevistos aparecem e, desta vez, fomos apenas cinco. Mas quando nos sentamos juntas, a conversa acontece naturalmente.

Somos seis mulheres completamente diferentes. Diferentes nas idades, nos signos, nas profissões, nos feitios, nos ritmos de vida e até na forma como olhamos para o mundo. Há quem seja mais racional, quem decida sempre com o coração, quem fale pelos cotovelos, quem observe primeiro e só depois dê a sua opinião. Há quem viva rodeada de listas e quem prefira improvisar. Quem nunca dispense um bom plano e quem transforme qualquer plano numa aventura.

Talvez seja precisamente essa diversidade que torna estes encontros tão especiais. Não pensamos todas da mesma forma, nem temos de pensar. Discordamos, debatemos, rimos, aprendemos e, muitas vezes, acabamos por sair da mesa com uma perspetiva diferente daquela com que chegámos.

No almoço de hoje houve de tudo um pouco: assuntos sérios, desabafos, gargalhadas, histórias que já conhecíamos mas que adoramos voltar a ouvir, dicas que levamos connosco, algumas fofocas (porque também fazem parte da vida!) e muitos brindes. Pelo meio, uma sangria de pepino bem fresca que soube ainda melhor acompanhada da melhor companhia.

Há uma leveza difícil de explicar nestes encontros. É aquela sensação de podermos ser exatamente quem somos, sem filtros, sem pressas e sem julgamentos. De celebrar as conquistas umas das outras, de ouvir quando é preciso ouvir, de dar colo quando faz falta e de rir até doer a barriga.

Hoje éramos cinco, mas o espírito continuou completo. Porque mais do que o número, importa a vontade de continuar a criar memórias, mês após mês.

No fundo, estes momentos são o nosso pequeno ritual. Um lembrete de que a amizade não precisa de pessoas iguais para ser verdadeira. Precisa apenas de respeito, tempo, disponibilidade e da vontade de continuar presente na vida umas das outras.

E já estamos a contar os dias para o próximo… de preferência, com as seis.

Bj utópico 
Dri


quinta-feira, 9 de julho de 2026

Evita no Coliseu: quando Porto me devolveu Buenos Aires



Hoje a noite foi preenchida com uma ida ao Coliseu para ver Evita foi uma dessas experiências raras em que a cidade muda de temperatura, de ritmo, de alma. Ir ao Coliseu ver Evita com o meu pai tornou‑se uma dessas travessias raras em que o presente se abre, o passado regressa, e uma cidade inteira muda de respiração.

Entrámos no Coliseu como quem entra num lugar que já conhece, mas que guarda sempre uma surpresa. E antes mesmo de o musical começar, o meu pai sorriu com aquele sorriso que anuncia uma memória antiga..

O primeiro acorde abriu uma porta que eu já não sabia que ainda existia. A voz que se ergueu no palco não trouxe apenas Eva Perón, mas  trouxe a minha história com aquela cidade que me ensinou a olhar o mundo com outra intensidade. Buenos Aires tem essa capacidade estranha de nos marcar com uma melancolia bonita, uma espécie de saudade que não dói, mas que pulsa. 

As luzes do palco tinham o brilho das noites de San Telmo, onde o tango se dança com o corpo, mas também com a alma. Os gestos dos atores tinham a cadência do tango que aprendi a reconhecer nas esquinas, nos cafés antigos, nos passos cruzados que contam histórias de amor, perda e reencontro. E a música tinha aquela força que mistura elegância, intensidade e uma certa tristeza luminosa que só Buenos Aires sabe ter.

Enquanto Eva Perón ganhava vida no palco, eu revivia a minha viagem: as ruas coloridas do Caminito, os cafés onde o tempo parece ficar suspenso, as conversas demoradas, os silêncios que dizem mais do que palavras, e aquela sensação de que a cidade nos observa como se soubesse segredos sobre nós.

O Coliseu tornou-se um espelho emocional. Porto respirava com o coração de Buenos Aires. E eu, sentada ali, sentia que as duas cidades  se tocavam por instantes. Aliás  como se o mundo tivesse decidido alinhar memórias, geografias e afetos só para me lembrar de quem eu fui, de quem sou e de quem continuo a ser.

O musical trouxe uma saudade da minha viagem, do tango, da mística, da forma como Buenos Aires me ensinou que há lugares que ficam para sempre dentro de nós, mesmo quando voltamos. Saí do Coliseu com a sensação de ter regressado sem ter viajado. E talvez seja isso que a arte faz: devolve-nos às cidades que amamos, às versões de nós que lá ficaram, às histórias que continuam a dançar dentro de nós.

Hoje Buenos Aires ficou mais perto e a vontade de voltar também .

Bj utópico

Dri



terça-feira, 7 de julho de 2026

Quando o Futebol se Torna Esperança

Há algo de profundamente humano no momento em que começa um Mundial de Futebol. As ruas ganham outra respiração, os cafés tornam-se pequenas assembleias populares, e as casas transformam-se em arquibancadas improvisadas onde três gerações se sentam lado a lado. O avô que recorda Eusébio, o pai que fala de Figo, o filho que sonha com o próximo herói, mas todos encontram no futebol uma língua comum, uma ponte que atravessa décadas e que, por instantes, faz do mundo um lugar mais simples.

O futebol tem esta força rara: une sem pedir tradução, convoca sem exigir explicação. É uma espécie de liturgia laica onde cada golo é uma epifania e cada jogo, uma narrativa que nos devolve ao essencial ao desejo de pertencermos a algo maior do que nós.

Mas o Mundial também nos lembra outra verdade, menos luminosa e igualmente necessária: a perda.
A derrota, esse território que ninguém quer habitar, mas que todos visitamos mais cedo ou mais tarde. No livro Esperança, o Papa Francisco escreve que a esperança “não é otimismo ingénuo, mas a coragem de continuar apesar das sombras”. E talvez seja isso que o futebol nos ensina com mais honestidade: que a esperança é teimosa. Que ela resiste mesmo quando o marcador não nos favorece, mesmo quando o apito final nos corta o fôlego, mesmo quando o sonho fica por cumprir.
A perda no futebol não é apenas um resultado, mas sim um espelho que nos mostra quem somos quando o aplauso se cala ou nos mostra a grandeza de levantar a cabeça, de reconhecer o esforço, de agradecer o caminho ou mesmo que a dignidade não está apenas na vitória, mas na forma como atravessamos a derrota.

E é por isso que o futebol continua a ser tão nosso, porque nele cabem as lágrimas e os abraços, a frustração e a festa, o silêncio e o grito. Mas também cabem as histórias que contamos aos nossos filhos e as memórias que herdámos dos nossos pais.

Que este Mundial nos lembre isso: que a vitória é bela, mas a perda também educa e que, no fim, o que fica não é apenas o resultado, mas sim é a história que construímos juntos.

Bj utópico

Dri



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Leques: a arte de abrir a alma

Há objetos que carregam histórias, memórias e gestos que atravessam séculos. O leque é um deles. Um artefacto aparentemente simples, mas que, quando observado com atenção, revela uma coreografia íntima entre forma, movimento e intenção. No Mundo Utópico da Dri, gosto de pensar nos leques como extensões da própria humanidade: cada pessoa, tal como cada leque, abre‑se ao mundo de maneira única — umas vezes com suavidade, outras com estrondo, sempre com significado.

O leque oriental, por exemplo, nasce da delicadeza. Abre-se como quem respira fundo antes de falar, com um silêncio que antecede a palavra certa. É o símbolo das pessoas de temperamento calmo, aquelas que se revelam devagar, sem pressa de ocupar espaço, mas com a profundidade de quem sabe que a força não precisa de ruído. Já o leque que se abre com estalo — firme, decidido, quase teatral — lembra-nos as personalidades intensas, assertivas, que chegam ao mundo com presença e deixam marca. São almas que não temem o impacto, que se afirmam com clareza e que, tal como o estalar do leque, anunciam a sua verdade sem hesitação.

Há também os leques ornamentados, rendados, trabalhados com paciência artesanal. São como pessoas cheias de camadas: complexas, densas, feitas de detalhes que só se revelam a quem observa com cuidado. Cada filigrana é uma história, cada cor é uma memória, cada curva é uma emoção guardada. Em contraste, os leques minimalistas — monocromáticos, de linhas limpas — representam aqueles seres humanos de essência direta, que não precisam de adornos para serem inteiros. São a simplicidade que não é ausência, mas clareza.

E depois existem os leques frágeis, quase etéreos, que se desfazem com o tempo ou com o uso. São as sensibilidades profundas, aquelas que sentem o mundo com intensidade e que, por isso mesmo, exigem cuidado. Não são frágeis por falta de força, mas porque carregam uma perceção tão fina da vida que qualquer vento mais brusco se torna excesso. Por outro lado, os leques resistentes — de madeira robusta, articulados com precisão — são a imagem da resiliência. Pessoas que se dobram, mas não quebram; que se fecham para se proteger, mas que sabem sempre reencontrar o gesto de se abrir.

No fim, todos os leques, independentemente da forma, cumprem a mesma função: refrescar, aliviar, acompanhar. Assim também os seres humanos, tão diferentes entre si, procuram sentido, pertença e harmonia. Cada um abre o seu “leque interior” à sua maneira, revelando o que é, o que sente, o que sonha. E talvez a verdadeira utopia esteja nisso: reconhecer que a beleza da humanidade reside precisamente na diversidade dos seus movimentos.

Por aqui, imagino um lugar onde o gesto de abrir o leque é também o gesto de abrir a alma. gosto de imaginar que cada pessoa carrega um leque invisível. Uns têm-no pintado de cores vibrantes, outros guardam-no em tons neutros. Uns abrem-no com ousadia, outros com pudor. Mas todos, sem exceção, possuem esse instrumento silencioso que lhes permite regular a intensidade com que se oferecem ao mundo. E talvez a verdadeira utopia seja esta: aprender a reconhecer o leque do outro, respeitar o seu ritmo, honrar o seu movimento.

Porque, no fim, a filosofia dos leques é a filosofia da humanidade: abrir-se é sempre um ato de coragem, fechar-se é sempre um ato de cuidado. E viver é aprender a dançar entre os dois.

Bj utópico

Dri



domingo, 28 de junho de 2026

Santos Populares: onde o verão sabe a felicidade

Há qualquer coisa de mágico nas noites de junho.

Talvez sejam as ruas vestidas de cor. Talvez sejam os manjericos que transportam desejos em silêncio. Ou talvez seja apenas o verão a lembrar-nos que a felicidade raramente precisa de muito.

No mundo utópico, os Santos Populares não são apenas uma festa. São uma pausa. Um daqueles momentos em que deixamos o relógio descansar e passamos a medir o tempo pelas gargalhadas, pelos brindes e pelas conversas que insistem em prolongar-se noite dentro.

O cheiro das sardinhas acabadas de assar mistura-se com o dos pimentos na brasa. Há caldo verde servido em malgas que aquecem mais do que as mãos. Há bifanas, febras, chouriço assado e broa sobre a mesa. Petiscos simples, mas capazes de reunir gerações inteiras à volta da mesma vontade: estar juntos.

E talvez seja esse o verdadeiro sabor do verão.

Não está apenas na praia ou no calor dos dias compridos. Está na cadeira que aparece para quem chega sem avisar. Na música que todos sabem cantar, mesmo desafinados. Na mesa onde há sempre espaço para mais um prato e mais uma história.

Vivemos tempos em que tudo parece correr depressa. Mas junho lembra-nos que algumas tradições continuam a vencer o tempo. Porque há memórias que se fazem entre bandeirinhas coloridas, copos erguidos e o fumo das grelhas que sobe para um céu ainda morno.

Aqui o verão não se mede em graus. Mede-se em afetos.

E enquanto houver uma rua em festa, um petisco para partilhar e alguém disposto a brindar à vida, haverá sempre razões para acreditar que a utopia pode, afinal, existir.

Bj utópico

Dri



sexta-feira, 12 de junho de 2026

Novo Almoço de Sexta

Mais uma sexta-feira, mais um almoço…. O calor estava tão intenso que até os cubos de gelo pareciam pedir baixa médica. A missão do dia era simples: encontrar sombra, sobreviver às temperaturas e desfrutar do almoço.

As conversas seguiram os temas habituais: comida, histórias da semana, planos para o fim de semana e aquelas teorias que só fazem sentido à mesa de almoço de sexta-feira. 

Para ajudar ao ambiente, os leques entraram em ação. Uns abanavam-se com elegância, outros com tal entusiasmo que pareciam estar a tentar alterar a direção do vento.

Entre garfadas, risos e copos constantemente reabastecidos, o calor continuava a subir. E foi aí que começou o verdadeiro incêndio. Não daqueles que aparecem nas notícias, mas dos outros: as gargalhadas que se espalham pela mesa, as histórias que ganham proporções épicas a cada nova versão e as conversas que aquecem mais depressa do que o próprio verão.

Quando uma piada pega fogo, já se sabe como é. Um comentário leva a outro, alguém acrescenta um detalhe improvável, outro faz de conta que acredita e, de repente, ninguém consegue apagar as chamas da boa disposição.

Os leques mantinham-se em serviço permanente e o almoço avançava entre pequenas explosões de humor. Felizmente, ninguém chamou os bombeiros. Afinal, há incêndios que não vale a pena apagar.

E assim passou mais almoço de sexta-feira com muito calor, algumas labaredas de imaginação e a certeza de que a melhor forma de enfrentar as altas temperaturas continua a ser uma boa refeição acompanhada de boa companhia.

Bj utópico 

Dri

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A quinta dos Animais ao almoço



Sexta-feira tem ganho um estatuto quase litúrgico. Não pela pressa do fim de semana, nem pelo alívio burocrático das horas que terminam, mas por aqueles almoços onde a conversa se estende para lá da mesa e nos devolve a estranha sensação de que ainda é possível pensar o mundo com tempo. Entre garfadas, cafés demorados e livros espalhados como pequenos manifestos, viajámos do ronronar — esse som primitivo e reconfortante que parece guardar a essência inteira do animal — até Orwell e à inevitável brutalidade da frase: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”.

Falou-se da quinta dos animais, mas também da nossa. Das hierarquias invisíveis, dos instintos que fingimos domesticar, da delicada fronteira entre civilização e natureza. E como sempre acontece nestes encontros, a conversa desviou-se para aquilo que verdadeiramente importa: a diferença dos sexos, os equilíbrios impossíveis entre o que é biológico, cultural, desejado ou imposto. Não para encontrar respostas definitivas — felizmente ainda desconfiamos delas — mas para manter viva a possibilidade de perguntar.

Há qualquer coisa de profundamente raro nestes almoços: a capacidade de saltar do ensaio político para o comportamento felino, da literatura para o corpo, da teoria para o riso, sem perder coerência. Como se pensar também pudesse ser uma forma de amizade. Como se os livros servissem precisamente para isto: abrir portas inesperadas entre pessoas que ainda se permitem conversar sem cronómetros.

No fim, ficou a sensação de que talvez a verdadeira utopia esteja aqui. Não nas grandes revoluções, mas nestas mesas de sexta-feira onde ainda há tempo para discutir Orwell, animais, homens, mulheres e o mundo — enquanto a comida arrefece.

Um bj utópico

Dri

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Entre o Estreito de Ormuz e a Esperança: Pensar o Mundo Hoje


 Num tempo em que o mundo parece oscilar entre a incerteza e o medo, a leitura do livro Esperança, do Papa Francisco, surge como um convite profundo à reflexão e, sobretudo, à resistência interior. Não uma resistência feita de força bruta, mas de uma confiança teimosa na possibilidade de um futuro mais humano.

As palavras do Papa ecoam com uma simplicidade desarmante: a esperança não é ingenuidade, é escolha. E talvez nunca tenha sido tão urgente escolhê-la como agora. Hoje, ao vermos notícias sobre o agravamento do conflito no Irão e a abertura do Estreito de Ormuz — um dos pontos mais sensíveis do equilíbrio geopolítico mundial —, somos confrontados com a fragilidade das estruturas que sustentam a paz.

O mundo parece, mais uma vez, inclinar-se para a tensão, para a divisão, para o medo do outro. E é precisamente neste cenário que a mensagem de Esperança ganha ainda mais força. O Papa Francisco recorda-nos que a esperança não ignora a dor nem fecha os olhos à realidade. Pelo contrário, nasce no meio dela. Cresce nas fissuras da história, onde ainda é possível escolher o bem.

Mas o que significa falar de utopia num mundo assim?

Durante muito tempo, a palavra “utopia” foi tratada como sinónimo de algo inalcançável, quase infantil. No entanto, talvez devêssemos resgatá-la. Não como fuga à realidade, mas como horizonte. A utopia é aquilo que nos impede de aceitar a injustiça como normal, a guerra como inevitável, a indiferença como destino.

A utopia é, afinal, uma forma de esperança em movimento.

Num mundo marcado por conflitos, crises energéticas, desigualdades profundas e medos coletivos, pensar num “mundo melhor” pode parecer distante. Mas é precisamente esse pensamento que nos mantém humanos. Cada gesto de solidariedade, cada escolha ética, cada palavra que constrói em vez de destruir , tudo isso são pequenas expressões de uma utopia possível.

Talvez não possamos fechar estreitos nem evitar guerras com as nossas próprias mãos. Mas podemos abrir caminhos dentro de nós e à nossa volta. Podemos escolher não alimentar o ódio, não ceder ao cinismo, não desistir do outro.

O livro Esperança não oferece soluções mágicas. Oferece algo mais exigente: um convite à transformação interior que, lentamente, pode transformar o mundo.

E talvez seja aí que tudo começa.

Entre o ruído das notícias e o peso da realidade, a esperança continua a ser um ato radical. E a utopia, longe de ser um sonho distante, pode ser o primeiro passo concreto para um mundo que ainda não existe,  mas que depende de nós para começar a nascer.

Bj utopico

Dri


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O poder de um post it



Hoje descobri que um post it não é só um quadrado colorido que serve de memorando.

Este quadrado colorido pode ser um sopro ou um começo quando escrevemos a frase certa e o colamos perdido dentro de um livro.
Dentro desse livro, podemos encontrar várias frases escritas em pequenos post-its que, na verdade, ficam ali silenciosas a espera do momento certo de fortalecer quem as lê. Diria mesmo que há um poder secreto em cada frase escrita, pois estes post its, espalhados ao longo do livro, estão carregados de intenções, de pausas para respirar ou simplesmente para fortalecer.

Assim este livro, deixa de ser apenas um conjunto de páginas encadernadas, para se tornar um companheiro , um mapa feito de letras com pulsação, com palavras que respiram e histórias que abraçam,.

Uma frase pode não mudar o mundo inteiro, mas pode mudar um dia. E às vezes, é de um dia que nós precisamos para continuar.

Olhemos para estes posts its como sementes prontas a florir em novas etapas. 

Porque todo o caminho de cuidado começa com uma decisão silenciosa,  uma frase que acende uma luz e a partir de hoje com um post it colorido.

Bj utópico
Dri

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Conhecem o amor que não faz barulho?

14 de fevereiro: o dia dos amor, dos afectos......

Coloquei Barry White na playlist da Apple Music e decidi escrever sobre um tipo de amor que não faz barulho, que não precisa de plateia e não exige promessas eternas porque ele simplesmente fica. É o amor que nasce na amizade.

O Amor na amizade é quando alguém entende o nosso silêncio, que envia mensagem a dizer estou aqui ou simplesmente acredito em ti. 

A amizade é o único amor que começa sem expectativas e, ainda assim, transborda em significado pois não nasce da paixão, mas nasce da nossa escolha diária em ouvir, ficar e entender mesmo quando seria mais fácil fugir.

Se o mundo tivesse mais amizades com amor e menos amores sem amizade, talvez tudo fosse mais leve.

Feliz dia de São Valentim aos meus verdadeiros amigos que são um porto seguro no meio das tempestades e riso nos dias comuns. São aqueles que conhecem as minhas versões mais fortes e também as mais frágeis  e ainda assim permanecem. São casa, mesmo quando o mundo parece estrada. Cada um, da sua maneira, carrega um pedaço da minha história e lembra-me, todos os dias, que não existe riqueza maior do que ter com quem dividir a vida.

Bj utopico
Dri


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Os anos do meu pai





Hoje é dia de anos: o dia de anos do meu pai. O pai que está presente no tempo, nos gestos calmos e no riso dos netos que o rodeiam.

Como filha, vejo nele o homem que sempre soube escutar antes de falar e sentir antes de agir. Hoje, vejo também o pai que se transformou em avô sempre atento, paciente, afectuoso. A forma como ele interage com os netos tem o mesmo cuidado com que constrói a música: sem pressa mas com verdade.

Foi essa sensibilidade que o levou a criar o álbum Círculo D’Harmonias, onde cada faixa é uma parte do seu tempo, da sua calma e da sua história. No seu circulo de Harmonias disponível no Spotiy e na Apple Music:

- No “Préludio”, reconheço o início de tudo: a base, o primeiro passo, o tom certo para começar.
- Em “A Little Blue” a serenidade que ele carrega no olhar, aquela calma que atravessa gerações.
- Em “A Little Swing”, está a leveza do quotidiano, o riso, a alegria
- em “Ode a D. Dinis” revela o respeito profundo pela história, pela cultura e pelas raízes , valores que ele passa aos netos sem discursos, apenas pelo exemplo.
- Em “Contemplação”, encontro o pai: observador, presente, em silêncio mas sempre presente.

A equitação é uma das suas grandes paixões. Vejo-o a cavalo com o mesmo equilíbrio com que compõe atento ao ritmo, à respiração, ao momento exato. Ali, como na música, o meu pai ensina que conduzir não é dominar, é escutar.

Os netos veem nele segurança e ternura.Um colo que acolhe, um olhar que valida, uma presença que fica. Para eles, o avô não é passado, pois é brincadeira, aprendizagem e tempo de qualidade.

Para mim, o meu pai transforma vida em som.
E eu, como filha, vejo o homem que se reinventa sem perder a essência. Vejo o pai que cria, que cuida e que deixa um legado que se ouve e se sente.

O meu pai não marca apenas o tempo, marca pessoas e gerações.

Parabéns, pai.
Que continues a transformar dias em harmonias e amor em presença

Bj utopico

Dri

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A historia do Cabaz...



Para mim as quartas-feiras não são apenas dias úteis: são pontos de encontro. São dias em que os almoços de amigos funcionam como âncoras no meio da pressa do mundo, lembrando que a vida também se constrói à mesa.
Foi num desses almoços de quarta-feira que surgiu a rifa.  Cada um comprou o seu número com a leveza de quem não espera ganhar, mas quer participar. 
O cabaz acabou por sair ali, no meio do grupo, como se tivesse escolhido sozinho o seu destino. Um cabaz cheio de coisas pensadas para bons momentos: sabores para partilhar, detalhes para saborear devagar, convites silenciosos à pausa e à celebração. Não era apenas um conjunto de produtos, mas um manifesto: a vida é melhor quando é dividida.

E é aí que entra a simbologia do brinde que podemos fazer com este cabaz ou nos almoços de quarta feira, pois brindar não é sorte nem acaso. O brinde simboliza o coletivo, a alegria que não precisa de dono, o gesto simples de erguer o copo e dizer: “que bom estarmos aqui”.

Dos brindes nascem, naturalmente, as resoluções para 2026, mas não como listas exigentes, mas sim como as intenções possíveis:
- continuar a aparecer às quartas-feiras, mesmo sem rifa;
- valorizar os momentos improváveis que acabam por ser os mais importantes;
- brindar mais vezes em conjunto
- lembrar que a sorte maior é pertencer a um grupo que ri junto.

Neste mundo em que vivemos,  o verdadeiro prémio esteve sempre ali: à mesa, entre amigos, numa quarta-feira qualquer que acabou por ser especial.
Bj utopico
Dri

Alentejo

  Entre campos dourados, oliveiras antigas, aldeias brancas e estradas que parecem não ter fim, existe uma tranquilidade difícil de explicar...