Há algo de profundamente humano no momento em que começa um Mundial de Futebol. As ruas ganham outra respiração, os cafés tornam-se pequenas assembleias populares, e as casas transformam-se em arquibancadas improvisadas onde três gerações se sentam lado a lado. O avô que recorda Eusébio, o pai que fala de Figo, o filho que sonha com o próximo herói, mas todos encontram no futebol uma língua comum, uma ponte que atravessa décadas e que, por instantes, faz do mundo um lugar mais simples.
O futebol tem esta força rara: une sem pedir tradução, convoca sem exigir explicação. É uma espécie de liturgia laica onde cada golo é uma epifania e cada jogo, uma narrativa que nos devolve ao essencial ao desejo de pertencermos a algo maior do que nós.
E é por isso que o futebol continua a ser tão nosso, porque nele cabem as lágrimas e os abraços, a frustração e a festa, o silêncio e o grito. Mas também cabem as histórias que contamos aos nossos filhos e as memórias que herdámos dos nossos pais.
Que este Mundial nos lembre isso: que a vitória é bela, mas a perda também educa e que, no fim, o que fica não é apenas o resultado, mas sim é a história que construímos juntos.
Bj utópico
Dri

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