quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Os anos do meu pai





Hoje é dia de anos: o dia de anos do meu pai. O pai que está presente no tempo, nos gestos calmos e no riso dos netos que o rodeiam.

Como filha, vejo nele o homem que sempre soube escutar antes de falar e sentir antes de agir. Hoje, vejo também o pai que se transformou em avô sempre atento, paciente, afectuoso. A forma como ele interage com os netos tem o mesmo cuidado com que constrói a música: sem pressa mas com verdade.

Foi essa sensibilidade que o levou a criar o álbum Círculo D’Harmonias, onde cada faixa é uma parte do seu tempo, da sua calma e da sua história. No seu circulo de Harmonias disponível no Spotiy e na Apple Music:

- No “Préludio”, reconheço o início de tudo: a base, o primeiro passo, o tom certo para começar.
- Em “A Little Blue” a serenidade que ele carrega no olhar, aquela calma que atravessa gerações.
- Em “A Little Swing”, está a leveza do quotidiano, o riso, a alegria
- em “Ode a D. Dinis” revela o respeito profundo pela história, pela cultura e pelas raízes , valores que ele passa aos netos sem discursos, apenas pelo exemplo.
- Em “Contemplação”, encontro o pai: observador, presente, em silêncio mas sempre presente.

A equitação é uma das suas grandes paixões. Vejo-o a cavalo com o mesmo equilíbrio com que compõe atento ao ritmo, à respiração, ao momento exato. Ali, como na música, o meu pai ensina que conduzir não é dominar, é escutar.

Os netos veem nele segurança e ternura.Um colo que acolhe, um olhar que valida, uma presença que fica. Para eles, o avô não é passado, pois é brincadeira, aprendizagem e tempo de qualidade.

Para mim, o meu pai transforma vida em som.
E eu, como filha, vejo o homem que se reinventa sem perder a essência. Vejo o pai que cria, que cuida e que deixa um legado que se ouve e se sente.

O meu pai não marca apenas o tempo, marca pessoas e gerações.

Parabéns, pai.
Que continues a transformar dias em harmonias e amor em presença

Bj utopico

Dri

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A historia do Cabaz...



Para mim as quartas-feiras não são apenas dias úteis: são pontos de encontro. São dias em que os almoços de amigos funcionam como âncoras no meio da pressa do mundo, lembrando que a vida também se constrói à mesa.
Foi num desses almoços de quarta-feira que surgiu a rifa.  Cada um comprou o seu número com a leveza de quem não espera ganhar, mas quer participar. 
O cabaz acabou por sair ali, no meio do grupo, como se tivesse escolhido sozinho o seu destino. Um cabaz cheio de coisas pensadas para bons momentos: sabores para partilhar, detalhes para saborear devagar, convites silenciosos à pausa e à celebração. Não era apenas um conjunto de produtos, mas um manifesto: a vida é melhor quando é dividida.

E é aí que entra a simbologia do brinde que podemos fazer com este cabaz ou nos almoços de quarta feira, pois brindar não é sorte nem acaso. O brinde simboliza o coletivo, a alegria que não precisa de dono, o gesto simples de erguer o copo e dizer: “que bom estarmos aqui”.

Dos brindes nascem, naturalmente, as resoluções para 2026, mas não como listas exigentes, mas sim como as intenções possíveis:
- continuar a aparecer às quartas-feiras, mesmo sem rifa;
- valorizar os momentos improváveis que acabam por ser os mais importantes;
- brindar mais vezes em conjunto
- lembrar que a sorte maior é pertencer a um grupo que ri junto.

Neste mundo em que vivemos,  o verdadeiro prémio esteve sempre ali: à mesa, entre amigos, numa quarta-feira qualquer que acabou por ser especial.
Bj utopico
Dri

sábado, 29 de novembro de 2025

Os jantares de Natal....



Há jantares de Natal que começam no calendário em Novembro.
Ontem foi um deles. Na verdade, os membros deste jantar chegaram à minha vida sem aviso, como quem entra pela porta da sala com gargalhadas e histórias ainda por contar. E, sem perceber bem como, dei por mim adotada por um grupo que não combina em nada… e que, ao mesmo tempo, combina em tudo.
Somos todos diferentes quer nos ritmos, nas manias, nas gargalhadas e até nas tempestades que carregamos. Mas partilhamos a mesma missão : viver com leveza, rir e pôr o coração no sítio certo cada vez que nos sentamos à mesa.
E é isso que faz nascer a mística destes jantares de Natal que já começam em novembro porque esperar até dezembro seria desperdiçar oportunidades de celebrar.
Nestes encontros, há sempre um brinde que antecede a conversa, uma conversa que antecede a gargalhada, e uma gargalhada que, inevitavelmente, antecede o momento em que o restaurante nos lembra que talvez estejamos a rir um bocadinho alto demais. Mas é assim mesmo: alegria não vem com botão de volume.
As prendas são as mais originais. Temos prendas com todas as classificações: umas úteis, outras absolutamente inúteis, mas todas perfeitas porque carregam a nossa marca e a nossa a espontaneidade do “vi isto e lembrei-me de ti”.
No fim, ninguém sabe bem se celebra o Natal, a amizade, ou a sorte de termos tropeçado uns nos outros na vida.
E quando a noite avança e alguém liga a música, lá vamos nós: a gingar ao som da kizomba, desalinhados mas felizes, como quem dança não para acertar o passo, mas para agradecer à vida o momento.
Por isso, ergamos o copo  pelo Natal, por nós, por este grupo improvável e essencial.
Um brinde às noites que nos encontram juntos.
E outro às gargalhadas que nos expulsam dos restaurantes, mas nunca do coração uns dos outros

Bj utópico 
Dri

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Outono em Madrid


Madrid respira outra textura quando o outono chega.
A cada manhã, o caminho foi um mosaico de cores: ocres, dourados, ferrugem que brilham sob um sol já tímido.
Por sorte o local de trabalho, neste días, foi o Parque do Retiro que se transforma num espelho do tempo.
Os passos sobre o tapete de folhas soam como cartas antigas sendo abertas.
O vento brinca com as sombras e faz parecer que o mundo é feito de véus que cobrem uns ou outros que revelam.
As pessoas apressadas passam, cheias de relatórios, prazos, e-mails por responder, mas o parque insiste em falar mais alto, com uma calma quase insolente.
Trabalho? Sim , mas por instantes que,foram breves, a cidade convidou à pausa.Um café na Plaza Maior e por um segundo o tempo derreteu.As cores dissolveram-se e o laranja virou âmbar, o verde confunde-se com o cobre, e o céu parece pintado à mão, como se alguém tivesse decidido misturar mel e cinza.
E então, no meio da pressa, algo desperta:o som das folhas dançando sozinhas.

E amanhã ? amanhã é dia de voltar ao Porto, a minha cidade.
Levo comigo o som das folhas, o perfume do cafe , e essa certeza suave de que o tempo também sabe ser gentil.
Madrid fica em mim como um suspiro morno de outono.
O Porto, esse, espera -me com o coração aberto e com o cheiro do mar que nunca se esquece.

Bj utópico 
Dri

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O Vento, os Direitos Humanos e a Música


O vento sopra, não pede licença, não conhece fronteiras, porque ele simplesmente é assim. E talvez seja por isso que ele me faz pensar nos direitos humanos, porque, como o vento, estes deveriam pertencer a todos, sem passaporte, sem muro, sem condição. O vento não pertence a ninguém, e talvez seja o professor mais antigo de liberdade que o planeta conhece pois ele sopra sobre todos: ricos e pobres, certos e errados, santos e pecadores. O vento não escolhe lados, apenas circula, logo ele é mais justo que muitos sistemas humanos.

Nos anos 60, quando as ruas cantavam a liberdade e os cabelos dançavam soltos, um poeta chamado Bob Dylan transformou o vento em pergunta: “How many roads must a man walk down?”
A arte, naquele tempo, foi a respiração dos que não podiam gritar, foi mural, foi melodia, foi poema ou mesmo resistência.

E foi isso que hoje tentei lembrar aos meus alunos: que cada traço, cada palavra, cada acorde é uma semente de futuro. Não apenas o futuro deles, mas o futuro de uma geração que precisa aprender a sentir antes de decidir, a sonhar antes de desistir.

Conclusão hoje o vento, Dylan, os direitos humanos e alunos, tudo se misturou no meio de um turbilhão, mas ainda acredito que um simples sopro de arte pode mover montanhas mais firmes que qualquer estrutura de poder.

Porque o vento não se vê, mas sente-se. E assim também é a liberdade.

Bj utópico
Dri

sábado, 4 de outubro de 2025

Jazz


 Algumas presenças chegam silenciosas, e outras chegam como quem sabe que veio para ficar. A Jazz chegou assim, a nossa  Jack Russell, mas com uma intensidade que preencheu todos os cantos da  casa. 

No início, foi só curiosidade: um olhar que observava, cada gesto, cada respiração. Aos poucos, tornou-se companhia, confidente e afeto que não se mede. 

O Dia do Animal já não é apenas uma data. É um aviso do que significa existir lado a lado com outra vida que não fala, mas se faz ouvir com cada gesto, cada toque, cada pulo de alegria. A Jazz trouxe-nos uma nova forma de celebrar: não com palavras, mas com presença.

Ao acordar com um olá a abanar a cauda, a partilhar silenciosamente o sofá, as suas pequenas travessuras  lembram-nos que a família não se limita a quem partilha sangue, mas também àqueles que tornam os dias mais leves e o coração maior.

E assim, neste Dia do Animal, celebramos a nossa Jazz. Celebramos cada instante que nos lembra que o amor pode caber em quatro patas, e que, às vezes, a maior lição de vida vem de um olhar curioso e de um coração que nos escolheu para ser o seu mundo.

Bj utópico

Dri



quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A música e eu

Cresci com a música. Não apenas com os sons que vinham da rádio ou do walkman, mas com a música que o meu pai carrega dentro dele.

Ele tem o hábito de encher o silêncio com melodias, com acordes que entram pela sala, atravessam as paredes e se escondem na memória.

Foi assim que desde pequena aprendi que a música não é apenas som. A música é presença, é afeto que se transforma em notas, é uma herança invisível que molda quem somos, sem pedir licença. A música está em tudo desde o respirar lento das manhãs, no silêncio carregado de lembranças, no barulho da rua, no riso que escapa sem pedir licença ou até mesmo na tristeza que dá ritmo ao choro ao embalar um coração cansado.

A música fez parte da minha infância e da minha adolescencia, mas sempre me acompanhou em todos os caminhos que percorro. E hoje esta ligação à musica atravessa gerações e idiomas com o meu filho e os meus sobrinhos.

Com a música hoje vejo um avô que oferece canções como quem oferece colo. E um neto que recebe notas musicais como quem recebe raízes. E, juntos, criam um espaço onde o tempo não para, porque o que vibra é eterno.

Talvez seja isso a música: um abraço que não conhece idade. 

E quando o dia parece mudo, basta fechar os olhos para que alguma nota escondida desperte dentro de nós.

Bj utópico

Dri


Os anos do meu pai

Hoje é dia de anos: o dia de anos do meu pai. O pai que está presente no tempo, nos gestos calmos e no riso dos netos que o rodeiam. Como fi...