Amanhã é dia de teste de Ciências. Antes de dormir, sentamo-nos juntos e revimos a matéria: as camadas da atmosfera, os gases da Terra, a poluição, o aquecimento global. Antes de dormir , ouço :
— Mãe, sabias que a exosfera é onde os satélites orbitam?
— Sim , é a camada mais distante da atmosfera.
— Gosto de ti até à exosfera… e muito mais além.
Eu sorrio e digo agora fecha os olhos pois é hora de sonhar. Sonhar talvez com estrelas, talvez com um mundo melhor onde o ar é puro e o planeta respira.
Na verdade os teus dez anos ainda não permitem que percebas a metáfora que a Terra tem camadas, assim como nós. Há uma crosta que todos veem, onde os dias correm apressados, as palavras voam e os gestos se desenham na superfície. Depois, há um manto, mais profundo, onde as emoções se misturam como rochas em fusão, onde guardamos as saudades, os medos e os sonhos.
E no centro, o núcleo temos o coração da Terra, quente e que pulsa, tal como o amor entre mãe e filho. Uma força invisível, mas real, que nos mantém unidos, que resiste à pressão do tempo, às falhas e às tempestades.
Talvez seja por isso que só os filhos conseguem atravessar todas as nossas camadas e encontram, lá no fundo, o que realmente somos.
Comecei a lerA Minha Vida – Memórias de Golda Meir e senti que mergulhei na história de uma mulher que, contra todas as probabilidades, tornou-se a primeira-ministra de Israel e uma das figuras mais marcantes do século XX.
Mas este livro não é apenas um relato político – é também um testemunho sobre o que significa ser mulher, ser mãe e navegar num mundo onde as decisões importantes, historicamente, sempre pertenceram aos homens.
Golda Meir não esconde os dilemas que enfrentou ao longo da vida. Desde cedo, sentiu que sua missão ia além das paredes de casa, mas isso não a poupou da culpa e do conflito interno de tantas mulheres que tentam equilibrar carreira e família. Ela menciona, em diversos momentos, as dificuldades de conciliar a vida política com a maternidade, o peso das ausências, e a complexidade de criar filhos enquanto se dedica a uma causa maior.
A leitura deste livro num contexto atual traz-me algumas reflexões. Ainda hoje, mulheres em diversas áreas enfrentam desafios semelhantes – a necessidade de se provar constantemente, o peso da maternidade versus a ambição profissional e a luta para serem ouvidas em espaços predominantemente masculinos. Golda Meir, com a sua história, oferece um exemplo de resiliência, coragem e compromisso com um propósito maior.
Talvez quando terminar a leitura do mesmo conclua que a maior lição deste livro seja que não existem caminhos fáceis para as mulheres que ousam sonhar grande. Mas Golda Meir mostra que, mesmo num mundo de homens, é possível deixar um legado que transcende o tempo.
A frase da imagem – "Nada é ilegal até seres apanhado" – pode parecer uma frase rebelde, que nos remete para a ousadia inconsequente da adolescência ou dos tempos de faculdade. Talvez seja algo que, em algum momento, passou pela nossa mente como uma desculpa para justificar pequenas transgressões. Mas, à medida que amadurecemos, entendemos que a verdadeira questão vai além de "ser apanhado". É sobre ética, consciência, e responsabilidade.
Lembro-me de como, nos tempos de faculdade, achávamos que podíamos testar limites, de desafiar normas. Mas, ao longo do tempo, percebemos que a vida é mais complexa. Não basta escapar das consequências; é preciso enfrentar o espelho. O que fazemos quando ninguém está a olhar? O que toleramos, mesmo sabendo que não está certo?
É claro que a frase provoca um certo saudosismo, mas também nos chama à responsabilidade. Porque a verdade é que tudo deixa uma marca, mesmo que ninguém veja.
Por isso, enquanto seguimos nossos caminhos – seja nos estudos, na profissão ou na vida pessoal –, vale a pena lembrar: não é sobre “ser apanhado”. É sobre ser capaz de dormir tranquilo, sabendo que nossas escolhas refletem quem realmente somos.
Hoje perto das 15h30, desloquei-me a um locker numa bomba de gasolina da cidade do Porto para levantar três encomendas. Enquanto esperava para estacionar, vi ao longe, na zona dos carregamentos elétricos, um casal.... Talvez tenha sido o cenário de um encontro romântico mas sustentável.
Ela estacionou o carro elétrico na estação de carregamento. Ele já estava a espera dela noutro carro, os seus olhos procuraram por ela no reflexo do espelho retrovisor, enquanto o seu coração deveria bater mais forte.
Quando ela se aproximou, não havia ruído de motores, não havia conversas ou carros apressados nas proximidades. Apenas o som de abrir de uma porta, o som discreto de alguém que entra no carro onde é inconfundível a sensação de um amor antigo e proibido.
Não resisto a ficar por momentos a olhar, depois de ter levantado as minhas encomendas, pois dentro daquele o carro tudo parecia ter outra dimensão. As palavras entre eles são poucas. Mas eles não precisam delas pois esta tudo dito nos olhares, nas mãos, nos gestos e na maneira como interagem um com o outro. Entre os assentos do carro e o painel iluminado, o mundo cá fora parece que suspendeu para eles. E por alguns minutos — minutos roubados de uma tarde — eles estão juntos ainda que por pouco tempo.
Enquanto a bateria do carro elétrico carrega, os seus corações também se recarregam, com a intensidade de um amor que não pode ser vivido plenamente.
Arranco a pensar neste encontro fortuito e sustentável. “So This is Love”, seria a música perfeita para ilustrar o momento pois é uma melodia que carrega a doçura de promessas não cumpridas e a tristeza de partidas inevitáveis. Coloco a música no apple music e ao ouvir a letra penso, como quem sussurra ao destino, o que é realmente o amor. Seria isto? Este breve encontro entre o carregamento de um carro e a necessidade de matar saudades?
Imagino que no fim do carro carregar, ela tenha entrado neste, fechado a porta e partido, enquanto o outro carro, com ele dentro, tenha seguido por um caminho diferente. A rotina deve ter voltado a girar, e a bomba de gasolina deve se ter tornado em apenas um lugar de passagem.
Mas para aquele casal hoje nesta tarde, àquela hora, foi muito mais. Foi amor — mesmo que apenas por um instante roubado.
Nunca ninguém me disse que eu ia ficar angustiada quando tu tivesses preocupado .
Nunca ninguém me disse que eu ficar preocupada com as tuas preocupações
Nunca ninguém me disse que eu ia ficar perdida sem saber como te explicar que há pedras no caminho .
Nunca ninguém me ensinou a ser mãe de um protótipo de adolescente com coração puro, empático mas super rigoroso com ele .
São momentos de aprendizagem para o pai, mãe e filho .
Mas eu já aprendi que quando me pedes para ouvir as nossas músicas e para me deitar ao teu lado, é a forma de o teu coração sossegar e adormeceres.
A tua respiração sincroniza com a partituras do álbum das músicas clássicas que escolhemos ouvir e tranquilizas as tuas ânsias do caminho da juventude .
Esse caminho que aprendemos a trilhar em conjunto ,em família , mas que nenhum manual explica .
Olho para a janela, fico em contemplação para a vastidão da noite ao som do dedilhar de uma guitarra. As estrelas piscam, a lua ilumina a escuridão com seu brilho, ouço o murmúrio do vento, vejo a queda suave de algumas folhas de Outono .....E enquanto o ponteiro do relógio continua a marcar os minutos, deixo-me voar por este instante de calma para respirar, sentir, sonhar.... continuando a ouvir ao longe a guitarra a dedilhar mais uma música. O som da guitarra é um convite à introspecção, a banda sonora perfeita para este momento. Cada acorde ressoa com os meus pensamentos........ O corpo pode estar cansado, mas a alma sempre encontra força na contemplação. E assim, entre sombras e luzes, entre pensamentos e sentimentos, desligo por hoje o computador, fecho os livros e deixo que o vento que sopra me traga bons augúrios, me traga a força para continuar a sonhar ....
Com a guitarra a tocar suavemente ao fundo, deixo-me levar pelo sopro tranquilo da noite e do vento , a caminho da cama.
Existem momentos na vida que não precisam de muitas palavras. Às vezes, basta um simples abraço para expressar tudo o que sentimos, e foi exatamente isso que aconteceu numa tarde de outono no Porto. Entre o ameno da estação e a luz dourada do sol, um abraço entre mãe e filho sinónimo de um instante.
No dia a dia, é fácil perdermo-nos, mas momentos como este fazem-nos lembrar do que realmente importa. O carinho entre mãe e filho é uma das formas mais puras de amor, uma troca silenciosa de apoio, proteção e afeto. O pai, quem estava atrás da objetiva da máquina , conseguiu capturar a essência desse momento: um encontro de emoções que só a família pode proporcionar.
O outono do Porto tem este poder. As cores quentes das folhas, o aroma do ar fresco e a beleza da cidade criam o cenário perfeito para olharmos ao redor e percebermos que é nas pequenas coisas que encontramos os maiores tesouros.
Esta foto será uma memória não apenas por ser bonita, mas por representar o verdadeiro significado da vida: estar presente com quem amamos, sentir o calor de um abraço num dia de outono e saber que esses momentos, mesmo que passageiros, serão eternos na memória.
Obrigada a ti que capturaste a essência e deixaste fluir na energia da foto a emoção em família .