Killing Me Softly
Há encontros que começam com um copo.
E depois há aqueles que começam com um copo e acabam por nos dar uma história inteira para contar.
Foi num bar de hotel, algures no Alentejo.
O ambiente era daqueles em que estão famílias jovens espalhadas pelas mesas, casais a conversar, grupos de amigos, copos a tilintar….
Ao fundo, uma cantora começou a cantar Killing Me Softly.
E foi então que reparei neles, sentados ao balcão, lado a lado.
Ele, de whisky na mão.
Ela, com um Baileys.
Ambos vestidos de branco, num contraste quase cinematográfico com a madeira escura do bar.
Ele falava.
Ela ouvia.
Ele continuava a falar.
Ela continuava a olhar.
E a música dizia killing me softly…
Não sei se ele estava a contar a história da vida dele , a explicar o mundo, a falar do trabalho, de uma viagem ou simplesmente a aproveitar uma audiência particularmente paciente.
Ela, entretanto, tinha desenvolvido uma técnica admirável: olhar
Olhava para ele.
De vez em quando sorria.
Dava um gole no Baileys.
E voltava a olhar.
há qualquer coisa fascinante nos encontros que observamos de longe, pois nunca sabemos a história toda.
Por isso não sei se ela estava encantada com aquilo que ele dizia ou se, interiormente, já estava a cantar:Strumming my pain with his fingers…”
Porque, afinal, ninguém quer ser “killed softly” logo no primeiro encontro.
Ou quer?
Mundo Utópico da Dri
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