quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Killing Me Softly

Killing Me Softly

Há encontros que começam com um copo.

E depois há aqueles que começam com um copo e acabam por nos dar uma história inteira para contar.

Foi num bar de hotel, algures no Alentejo.

O ambiente era daqueles em  que estão famílias jovens espalhadas pelas mesas, casais a conversar, grupos de amigos, copos a tilintar….

Ao fundo, uma cantora começou a cantar Killing Me Softly. 

E foi então que reparei neles, sentados ao balcão, lado a lado.

Ele, de whisky na mão.

Ela, com um Baileys.

Ambos vestidos de branco, num contraste quase cinematográfico com a madeira escura do bar.

Ele falava.

Ela ouvia.

Ele continuava a falar.

Ela continuava a olhar.

E a música dizia killing me softly…

Não sei se ele estava a contar a história da vida dele , a explicar o mundo, a falar do trabalho, de uma viagem ou simplesmente a aproveitar uma audiência particularmente paciente.

Ela, entretanto, tinha desenvolvido uma técnica admirável: olhar 

Olhava para ele.

De vez em quando sorria.

Dava um gole no Baileys.

E voltava a olhar.

há qualquer coisa fascinante nos encontros que observamos de longe, pois nunca sabemos a história toda.

Por isso não sei se ela estava encantada com aquilo que ele dizia ou se, interiormente, já estava a cantar:Strumming my pain with his fingers…”

Porque, afinal, ninguém quer ser “killed softly” logo no primeiro encontro.

Ou quer?

Mundo Utópico da Dri


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