Mais uma sexta-feira, mais um almoço. Porque, no nosso pequeno ritual semanal, a sexta só começa quando alguém diz: “Vamos?”. E lá fomos nós, atravessando o calor como quem atravessa um deserto com esperança de encontrar um oásis... ou, pelo menos, uma esplanada com um guarda-sol minimamente comprometido com a sua função.
As roupas Tigresse fizeram a sua entrada triunfal, transmitindo a ilusão coletiva de que, por momentos, estávamos num resort qualquer e não a meio de uma sexta-feira de trabalho. E o guarda-sol, coitado, decidiu que também já tinha dado o que tinha a dar e, ao primeiro sopro de vento, levantou voo, como quem recebe uma proposta melhor na mesa do lado.
Entretanto, chegou a estrela do almoço: a mousse de Oreo. Daquelas sobremesas que vêm para a mesa com ar de quem vai durar uns bons minutos... e desaparecem antes de conseguirmos tirar uma fotografia decente. Oficialmente era para partilhar.
Depois chegaram os inevitáveis orçamentos. Porque somos adultos... ou gostamos de fingir que somos. Orçamentos para viagens, para escapadinhas, para planos que começam com um “e se...” e acabam com alguém já a escolher hotéis como se a decisão estivesse tomada. Fazemos contas, abrimos calculadoras, fechamos calculadoras e, no fim, percebemos que sonhar continua a ser gratuito. Felizmente.
E foi aí que a Tailândia entrou na conversa. Entre pesquisas e gargalhadas, já nos imaginávamos numa viagem em grupo, a saltar de ilha em ilha, a descobrir piscinas de um azul impossível, daquelas que parecem ter sido pintadas à mão, a colecionar pores do sol e a terminar os dias com uma massagem tailandesa capaz de desfazer até o cansaço que ainda nem tivemos tempo de acumular. Há viagens que começam quando compramos o bilhete. Outras começam muito antes, à volta de uma mesa de almoço.
Falámos de praias, cidades, malas por fazer, voos por marcar e daqueles destinos que aparecem sempre nas conversas de sexta, como se estivessem só à espera que alguém tivesse coragem de carregar em “reservar”. Ainda não sabemos quando vamos. Mas já sabemos o que vamos vestir.
As conversas seguiram o guião habitual: histórias da semana, desabafos, piadas privadas que já ninguém sabe explicar, teorias completamente absurdas e gargalhadas que fazem qualquer mesa ao lado olhar na nossa direção. É sempre assim. Começa com um comentário inocente e, cinco minutos depois, já estamos a rir de uma coisa que, fora daquele almoço, provavelmente nem teria graça. Mas ali tem. Porque ali quase tudo tem.
E talvez seja isso que torna estas sextas tão especiais. Não é o restaurante, nem a mousse, nem a Tailândia que, por enquanto, só existe nos nossos planos. São as pessoas. A leveza. O tempo que abranda sem pedir licença. A sensação de que, durante umas horas, o mundo pode esperar enquanto nós colecionamos memórias e desenhamos as próximas aventuras.
Porque nestes almoços cabem um guarda-sol rebelde, uma mousse de Oreo, um padrão Tigresse, uma viagem em grupo à Tailândia, piscinas de todas as tonalidades de azul e massagens que, por enquanto, só aconteceram na nossa imaginação.
E, sinceramente? Ainda bem.
Bj utópico,
Dri
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