Setembro: o mês de volta à escola, o mês em que as prateleiras se enchem de cadernos de argolas, cadernos pautados, cadernos A4, cadernos pretos, cadernos com desenhos, cadernos lisos, blocos, canetas de várias cores, de mochilas, de lápis …..
A escolha do Caderno ideal, face à escolha variada, fica difícil, principalmente se olharmos para este caderno com o sentido e sentimento que Toquinho lhe deu com a musica O Caderno.
Este é o refrão da música Fly Me to the Moon (In Other Words) cantada pela eterna voz de Tony Bennett. A sua voz caracterizava-se pela emoção, pois sempre foi capaz de transmitir a emoção das letras das músicas de uma forma única.A discografia de Tony Bennett é extensa e repleta de êxitos, mas sempre me fascinou a letra de Fly Me to the Moon (In Other Words) cantada por ele. Esta música foi um dos seu grandes sucessos. No entanto, ela foi popularizada por Frank Sinatra em 1964, quando este a incluiu no seu álbum "It Might as Well Be Swing".
"Fly Me to the Moon" é uma música intemporal que celebra o amor com o outro num lugar mágico e distante. Nesta música, expressa-se o desejo de ser levado à lua e ter a oportunidade de brincar entre as estrelas. Transportando-nos com a sua sonoridade para a leveza de voar com quem nos completa escapando da rotina e experimentando algo fora do comum. Aliás ao mencionar Júpiter e Marte evoca, para mim, mesmo um sentimento de aventura e exploração a dois. O refrão reforça ainda o romantismo da música, pedindo para que a pessoa amada nos segure a mão. Terminando o refrão com as palavras "in other words" ("em outras palavras") sugerindo que a música pode ser uma expressão indireta de mostrarmos os nossos sentimentos.
A partir de hoje fica a memória da sua voz, a memória da sua emoção, o som das suas músicas... fica o som de Tony Bennett a tocar na aparelhagem da sala enquanto lemos um livro, bebemos um copo de vinho ou um chá numa tarde fria de Inverno e nos deixamos voar para essa aventura que é um momento a dois.
Hoje, enquanto trauteava a música Maçã de Junho de Jorge Palma , o teu espírito inquieto próprio dos teus oitos anos perguntou : “ mãe o que significa ser és a minha maçã de Junho?”
Prontamente respondi: uma metáfora. Fez-se silêncio …. Mas não demoraste um minuto : o que é uma metáfora ? Tentei explicar o que é este recurso de estilo. Mas a tua inquietude não ficou satisfeita e pediste mais exemplos de metáforas . E rapidamente já dizias tu as tuas frases com o uso de metáforas .
Continuamos a trautear as músicas do Jorge Palma e entre músicas : a falar com o uso de metáforas ….
The First Five é uma série da hbo max que homenageia as cinco governantes finlandesas que governaram desde 2019.
Citando o jornal público : “ Anna-Maja Henriksson, Annika Saarikko, Li Andersson e Maria Ohisalo, ministras do Governo de Marin e rostos de uma coligação de mulheres de várias idades, que são identificadas nas muitas entrevistas que são o cerne da série, com os seus vários cargos: ministra de qualquer coisa, mãe de tantas crianças ou mulher em licença de maternidade. Contam como se interessaram pela política, como o ensino e a diversidade no seu país as fizeram – vêm da classe trabalhadora, ou de famílias gay, monoparentais ou de divórcios.”
Vi a série em duas noites com entusiasmo, com interesse e refletindo nas frases daquelas mulheres . As mulheres cada vez mais desempenham um papel fundamental na política e a sua importância é cada vez mais reconhecida em todo o mundo. No entanto, as mulheres ainda enfrentam obstáculos significativos na política, como estereótipos de género. A promoção da participação das mulheres na política continua a ser um desafio, mas é um passo crucial para uma sociedade mais igualitária e justa.
A prova desse desafio é a famosa pergunta, com que termino este texto, e que nunca os jornalistas questionam os homens: “ como é que concilia a maternidade com o trabalho ?”……
O ponteiros do relógio marcavam 16:30. A diligência chegou ao fim e posso regressar a casa . Na porta do tribunal sinto o cheiro a terra molhada e sinto os pingos da chuva a cair na pele. Não corro até ao carro …. Deixo que os pingos da chuva , refresquem o calor do dia , o calor da diligência …. Arranco a caminho de casa e a rádio passa a música Casa dos Dama com Buba Espinho.
Aumento o som. Concentro-me na letra e fixei o verso : Nós somos Casa, Bagunça e Viagem para o resto da vida. Este verso fez-me reflectir no conceito de casa . Passei a tarde, em conjunto com outros colegas , a partilhar as “casas” de muitos herdeiros. E entre euros , cêntimos , paredes , histórias , a verdade é que para aqueles homens e mulheres aquelas “casas” são portos de abrigo onde encontram refúgio , acolhimento e afecto. São os lugares onde cresceram , onde podem ser eles mesmos , onde a verdade prevalece e a saudade lhes lembra as memórias felizes.
Mas hoje, nesta tarde chuvosa, só com ajuda dos advogados conseguiram racionalmente partilhar estás memórias , estas casas….pois entre todos o sentimento de pertença é vivido de forma diferente .
Talvez um dia , todos os eles, entendam que aquelas casas são mais que um abrigo físico . Elas são o palco da vida deles onde se desenrolaram os momentos mais significativos da sua vida . É onde as gargalhadas ecoam nos corredores, as lágrimas foram enxugadas e os sonhos dos mesmos ganharam forma.
Independentemente do raciocínio jurídico , para a minha vida eu quero ser Casa, Bagunça e Viagem para o resto da vida..
Hoje resististe a adormecer. Hoje procuraste desculpas e histórias para nao ires para a cama . Hoje a energia da brincadeira e a mistura das emoções do dia pediam-te para fugir ao sono .
Mas a verdade é que no suave silêncio da noite com o brilho do luar a iluminar o quarto perante as frechas da persiana , deitei-me ao teu lado e juntos ouvimos uma suave melodia clássica que preencheu o ambiente e nos embalou .
A música clássica , com a sua harmonia e melodia , ecoou uma melodia de amor materno como se expressasse uma linguagem universal, capaz de transcender as palavras.
O sono chegou e no meu olhar eu tinha um dos mais belos espetáculos da vida, uma sinfonia de amor ao som da música clássica, que torna esse momento mais significativo, uma celebração da maternidade e da magia de ser tua mãe
Já devia estar a dormir mas os episódios da série da rainha Charlotte da Netflix esvoaçaram o meu sono .
São 6 episódios que , independentemente da história, nos fazem refletir sobre a forma como vivemos . Alias será devemos ou não saltar o muro e fugir dos desafios do dia a dia ??? Ou devemos ficar e apesar de os muros serem muito altos mostrar ao mundo que temos resiliência para superar , principalmente quando atuamos em equipa e amamos alguém independente da forma que escolhemos para amar.
Para alem dos cenários e do guarda roupa , um aplauso à banda sonora . Fantásticas escolhas e adaptações .
Deixo um exemplo dessa banda sonora e vou dormir com a sensação que devo continuar a acreditar que a minha utopia de um mundo sem muros se torne realidade .